Não tenho ambição alguma de que este Blog seja a maior referência em mergulhos no mundo, mas quero deixar alguma contribuição para a humanidade com as minhas ideias, as minhas experiências com e sobre o mundo do mergulho.
Comecei a fazer o Open Water Dive pela IANTD no final de dezembro de 2011 e fiz o meu check-out em fevereiro de 2012. De lá para cá o mergulho virou uma das minhas grandes paixões.
Hoje meu post é para falar de um belo lugar no meio do Caribe, trata-se da ilha de St. Maarten ou Saint Martin. A ilha foi meu primeiro destino oficial para mergulho em águas internacionais. Em breve, vocês terão a oportunidade de ler mais posts sobre esta aventura. Hoje falarei de forma mais geral sobre este paraíso Caribenho.
Uma curiosidade muito interessante sobre a ilha é que um lado dela pertencia a Holanda e o outro ainda está sob o comando da França. O lado holandês já é muito americanizado, a moeda local é dólar, enquanto que no outro tudo roda em torno do Euro.
No campo do mergulho, o lado holandês é o que oferece o maior número de pontos, ao todo são 17 locais para você cair nas lindas águas azuis, com visibilidade podendo chegar aos 50 metros. Já o lado francês oferece 03 pontos, sendo 02 em uma ilha (Pinel Island) à uma boa distância St Maarten. O destino ainda é muito pouco difundido entre os brasileiros, e mesmo tendo visto pelo menos cerca de 10 operadoras, todas PADI, as operações ainda são muito pouco exploradas. Um dos pontos que eu acredito que precisam evoluir neste mercado, é copiar o esquema feito nas ilhas ABC (Aruba, Bonaire, Curaçao), onde você pode fechar pacotes de mergulhos e cilindros ilimitados, possibilitando você cair na água pela praia mesmo, sem uma embarcação. Ou seja, temos um parque de diversões para explorar. Logo, eis-me aqui como um novo embaixador deste lindo e encantador lugar.
Para ir pegamos um vôo em Guarulhos pela Copa Airlines, com conexão na Cidade do Panamá. Ao todo a viagem dura cerca de 8 horas. Alugamos um carro, um i10 da Hyundai, automático. Um bom automóvel, pois não dá para ficar circulando com táxi por toda a ilha. Ficamos hospedados no hotel The Westin, na praia de Dawn Beach, uma praia reservada, e muito próxima da fronteira com o lado francês. O hotel é um 04 estrelas muito bom, com excelente infra-estrutura, porém, do outro lado da ilha e leva um tempinho para se deslocar do aeroporto até ele.
Ao todo foram 07 dias de muito descanso, muito snorkeling, boa comida, e tranquilidade para recarregar as baterias. Nem preciso falar que apesar do preço em Euros, o lado francês era o que oferecia as melhores opções gastronomicas. Enquanto que no francês pudemos pagar pouco ao optar pelos Fast Foods típicos americanos. Até porque, com o dólar cada vez subindo mais e para manter nosso orçamento equilibrado tivemos que optar por comer nestas opções por alguns dias.
Sobre as praias, o lado francês oferece as mais belas. Meu destaque vai para Baie Orientale, Grand Case, Baie de Marigot, Baie Rouge e Baie Lounge. Porém, estas praias oferecem pouca infra-estrutura de atendimento de bares e restaurantes. Para alugar um par de cadeiras e guarda-sol pagamos em média 15 dólares. No lado holandês, além da praia do hotel, destacam-se Maho Bay, a famosa praia da cabeceira da pista do aeroporto Princess Juliana, cujos aviões passam a poucos metros da sua cabeça, isso mesmo, não era coisa de filme não. Além delas, Simpson Bay, Cole Bay Beach e Philipsburg Great Bay, o único problema desta praia é que muito próxima do porto onde param os navios de cruzeiros, logo, vira uma Praia Grande chique.
Enfim, se você pretende viajar ao Caribe, vá para St Maarten, sem medo. É uma excelente opção. Em meu próximo post começo a falar sobre a minha aventura mergulhando por lá, e em especial no Shark Dive, um dos melhores mergulhos de toda a minha vida.
Até a próxima!!!
Ao pousar um pouco da vista que nos aguardava
The Westin Dawn Beach
A praia do The Westin
Baie Rouge (lado francês)
Centro de Marigot (lado francês)
Vista do lado holandês
Vista da Philipsburg Great Bay
O pouso na pista do Princess Juliana Airport, passando pela Maho Beach
O post de hoje é dedicado a falar sobre um ponto muito importante dentro do mergulho, é sobre abortá-lo em qualquer lugar ou situação que você esteja enfrentando.
Esta é uma das decisões mais difíceis para ser tomada. Muitas vezes somos levados a cancelar, ou segundo a linguagem da área "chamar um mergulho", por estarmos emocionalmente abalados, ou pelo excesso de confiança, prepotentes e arrogantes, ou mesmo por aspectos físicos como um enjôo, uma dor de cabeça. Mas saibam, esta é a melhor decisão que você deve tomar, pois, trata-se da sua vida.
Ao retornar ao barco ou comentar com amigos, uma das coisas que tão logo as pessoas pensam é em você ter "queimado dinheiro" e de fato, você o faz, pois os custos para uma saída de mergulho são bem salgados e quando o cancela, seu dinheiro não é devolvido, você assume total responsabilidade. Mas este valor investido é nada perto da sua tão preciosa vida.
Quando estiver na água e não se sentir bem por alguma razão, não importa a profundidade, e estiver inseguro sobre o passo seguinte, não tenha dúvida, chame o mergulho. Eu mesmo já estou colecionando bons episódios onde abortei o mergulho. Na Laje de Santos em minha primeira vez (clique aqui para ler meu post sobre esta aventura), em um treinamento do Advanced na represa (leia o post clicando aqui), recentemente no Victory 8B em Guarapari (clique aqui e leia o post). Eu retornava ao barco puto comigo mesmo. As vezes com raiva de eu não ter enfrentado algum medo, frustado comigo mesmo por desejar tanto realizar determinado mergulho e a minha ansiedade ter me derrubado. Em muitos destes momentos eu conversava com meus instrutor, Cesar Gentile, para relatar o que houve e ele sempre me ajudou a refletir sobre a minha postura.
Ter passado por estas experiências foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Todas elas tem me colocado com os pés bem no chão durante a minha formação como mergulhador. Os mergulhos que fiz na sequência de cada episódio onde abortei, foram excelentes, pois estava mais seguro, melhor preparado para determinadas situações. E tudo isso tenho levado para a minha vida pessoal.
Mas, uma regra muito importante dentro do mergulho que aprendi e que levo para a minha vida profissional e pessoal é a famosa expressão "Rasgar o Samba". Quando um mergulhador abortar não se questiona, não se discute tal decisão. Ambos retornam para a superfície. Logo, certas decisões tomadas em grupo, mesmo que sejam contra a sua vontade, mas se forem um consenso desta turma, não se discute, seguimos alinhados.
Resumindo meus amigos, não tenham medo ou vergonha de abortar um mergulho. Melhor perder um do que vários!
Não poderia ficar calado, neste momento em que uma das maiores barbáries humanas está ocorrendo. Trata-se do aprisionamento e matança de golfinhos nariz-de-garrafa e baleias em Taiji, Japão. Este fato já foi denunciado no documentário vencedor do Oscar em 2012, The Cove (A Enseada), de Ric O’Barry, Louie Psihoyos e Jim Clark.
A Organização Não-Governamental internacional Sea Shepherd, está realizando um trabalho fundamental de monitoramento, denúncia e recrutamento de voluntários para que esta idiotice dos japoneses para agora.
Por isso decidi compartilhar no blog os links da Sea Shepherd para você acompanhar o que eles estão publicando no Facebook e a transmissão da barbaridade por livestream.
Ajudem a disseminar meus amigos, isso tem que parar já!
Hoje meu post é uma verdadeira inspiração. Muita calma nessa hora, não sou nenhum Gandhi, Buda. Na verdade decidi compartilhar aqui um texto do Jacques Yves Cousteau que li recentemente no livro do Alcides Falanghe, Ilha em Evolução.
Este texto foi uma verdadeira bomba na minha alma, ele expressou tudo o que tenho sentido com o mergulho. Foi tão inspirador que me ajudou a preparar o roteiro de uma apresentação que fiz recentemente no TEDxMaré.
“Quem somos nós? Como todos os seres humanos, nascemos no coração da mãe-terra. Temos braços e pernas. Respiramos oxigênio que entra em pequenos pulmões. Passamos grande parte de nossa vida na posição vertical, que nos dá uma maior autonomia e um maior conforto na terra. Mas analisando um pouco mais a fundo, alguma coisa nos faz diferentes. Nascemos com os olhos acostumados ao azul das águas. Temos um corpo que anseia pelo abraço do mar. Somos homens e mulheres de espírito inquieto. Buscamos na nossa vida mais do que nos foi dado. Passamos por grandes provas para aproximar-nos dos peixes. Transformamos nossos pés em grande nadadeiras, seguramos o calor do nosso corpo com peles falsas e chegamos até a levar um novo pulmão em nossas costas. E tudo isso para quê? Para podermos satisfazer uma paixão. Um sonho. Porque nós, algum dia, de alguma maneira, fomos apresentados a um mundo novo. Um mundo de silêncio, de calma, de mistério, de respeito e de amizade. E esta calma e este silêncio nos fizeram esquecer da bagunça e da agitação do nosso mundo natal. O mistério envolveu nosso coração sedento de aventura. O respeito que aprendemos a ter pelos verdadeiros habitantes desse mundo, respeito esse que, só depois de ter sentido a inocência de um peixe, a inteligência de um golfinho, a majestade de uma baleia ou mesmo a força de um tubarão, pudemos compreender. E a amizade? Quando vamos até o fundo do mar, descobrimos que ali jamais poderíamos viver sozinhos. Então levamos mais alguém. E esta pessoa, chamada de dupla, companheiro ou simplesmente amigo, passa a ser importante para nós. Porque além de poder salvar nossa vida, passa a compartilhar tudo o que vimos, o que sentimos. E de duplas, passamos a ter equipes. E estas equipes passam a ser cada vez mais unidas. E assim entendemos que somos todos velhos amigos, mesmo que não nos conheçamos. E esse elo que nos une é maior do que todos os outros que já encontramos. E isso faz de nós mais do que amigos, faz de nós mais do que irmãos. Faz de nós...mergulhadores.”
Hoje meu post é dedicado a falar rapidinho de uma das minhas últimas leituras. Trata-se do livro Mergulhos, Naufrágios e Aventuras do Rodrigo Coluccini. Uma leitura mais do que recomendada para você que sonha em mergulhar nos melhores naufrágios por todo o Brasil, ou mesmo está adentrando neste novo mundo.
O mundo dos naufrágios é sem dúvida um dos mais encantadores do mergulho. Cada embarcação é repleta de muitas histórias, sejam elas do tempo em que foram construídas, afundadas, o que levavam e traziam pelos diversos cantos deste mundo, e claro, muitas histórias de pessoas.
Encontrar um naufrágio talvez não seja tão agradável assim, pois você pode um dia se deparar com um corpo, ossadas e etc.
A obra de Rodrigo é sem dúvida uma grande contribuição para o universo marinho brasileiro, pois foi um trabalho muito árduo em busca de informações sobre estas embarcações e suas histórias.
Hoje o post é para falar sobre uma experiência que apesar de negativa me ensinou muitas lições. Trata-se de minhas tentativas de mergulhar e conhecer o naufrágio Victory 8B nas águas da Guarapari, Espírito Santo. Isso mesmo, tentativa, pois eu abortei em todos os mergulhos, e não tenho vergonha alguma em assumir ter feito isso. Vocês podem perguntar, mas como o Luis fez isso? Jogou dinheiro fora? Ficou com medo? Nestas horas, o melhor é pensar em você e sua vida. Uma série de variáveis influenciaram este "insucesso". Mas vamos aos meus relatos dos dias 31 de maio e 01 de junho de 2013.
Bem, eu estava com a adrenalina muito alta por estes mergulhos, pois nos dias anteriores pesquisei sobre o naufrágio na internet, vi alguns vídeos no youtube e um deles você pode ver ao final do post. Creio que este excesso de adrenalina ajudaram a me derrubar.
Nosso primeiro mergulho ocorreu na Ilha Escalvada. O objetivo desta descida era apenas para nos ambientarmos com nossos equipamentos, pois o Cesar Gentile estava com seu Rebreather, o Edimar Barbosa e o Marcelo Gonçalves de Side Mount, eu e o Marcos Cetrone com um cilindro stage S80. A água estava com 22 graus de temperatura e visibilidade de 8 metros. Por eu estar há algum tempo sem treinar, pois o último mergulho havia ocorrido no dia 21 de abril, meu consumo de gás foi alto, iniciei meu cilindro com 174 bar e terminei com 116 bar com apenas 13 minutos e profundidade máxima de 15 metros. O que me espantou foi que estávamos com Nitrox EAN30. Vimos algumas espécies em todo esse tempo. Julguei como um fato positivo ter aprendido mais alguns truques de regulagem de meu computador Oceanic VT 4.0, mas depois de conversar com o Cesar e o Edimar percebi que havia errado uma série de configurações. Errando é que a gente aprende.
O segundo mergulho foi o tão esperado Victory. A temperatura da água estava em 22 graus, visibilidade de 8 metros e com correnteza. Meu cilindro principal iniciou em 101 bar e terminou em incríveis 1 bar, isso mesmo, e aqui já vale a primeira advertência, nunca deixe seu cilindro chegar a esta quantidade de gás, mas é importante ressaltar, eu só permiti chegar neste nível de gás porque eu estava com outro cilindro stage. Após um intervalo de superfície de 2 horas e 25 minutos o meu mergulho durou 14 minutos e cheguei a uma profundidade de 32 metros.
Dados técnicos concluídos, vamos ao relato de tudo o que me ocorreu neste mergulho. O trajeto do barco, onde caimos na água até chegar a bóia e descer até o naufrágio já foi mais uma variável que me influenciou em abortá-lo, pois nadamos bastante, a correnteza era grande, a preocupação em chegar ao ponto certo e ter que descer rápido, era tudo muito estressante. Com o alto consumo de gás no primeiro mergulho, fiquei preocupado monitorando constantemente no computador e num curto espaço de tempo meu equipamento apitada constantemente me avisando, e fiquei sem entender esses avisos. Ao chegar aos 32 metros eis que a minha querida amiga narcose me atacou e no meu caso eu sinto fobia, começo a salivar bastante e logo me engasgo. O bocal do 2o estágio que eu estava usando no cilindro stage era menor e a pressão de emissão do gás imensamente menor do que o meu principal, logo, me veio o episódio da Laje de Santos na cabeça. Bem, mas antes de tudo isso ocorrer, quando meu computador apitava fui até o Cesar Gentile para sinalizar o que estava ocorrendo. Ele a partir disso me colocou ao seu lado para me monitorar e me ajudou a eu me acalmar. Conseguimos navegar um pouco, cheguei a ver alguns cardumes e partes do naufrágio. Fiquei encantado com sua arquitetura, mas eis que chegou o momento de eu trocar e passar a usar o stage. E então, quando fiz a troca de gás eu engoli água, o 2o estágio saiu da minha boca e na volta engoli água. O Cesar chegou a purgar o regulador para cortar a minha sensação de engasgo e eu mordi com toda a força que tinha o bocal para que ele não escapasse novamente. Eis que o Cesar então começou a me levar de volta para a superfície e tentando me acalmar durante o trajeto. Era uma sensação horrível, apavorante, pois eu puxava todo o ar e ele não vinha, eu senti um medo enorme de que fosse dessa pra melhor naquela hora. Muitas coisas vieram na minha cabeça, em especial minha esposa e minha família, não podia morrer naquela hora e abandoná-los. Cesar tentava me levar devagar para não sofrer nenhum episódio de DD (Doença Descompressiva). Ao voltar para a superfície eu agradeci e pedi desculpas imensamente ao Cesar Gentile, pois tive a sensação de estar estragando a diversão dele e dos meus amigos. Fiquei por um tempinho na superfície e então a embarcação da Atlantes me resgatou de volta.
Logo depois do ocorrido, a minha sensação no barco durante a volta era horrível. Além do enjôo, muito natural, me sentia um derrotado novamente. Não estava me perdoando por isso. Quando retornou, o Cesar logo me chamou para conversar e avaliar o que havia acontecido comigo e para saber como eu estava me sentindo. Eis mais um ponto que aprendi com o episódio, um bom instrutor não é somente aquele cara que lhe transmite técnicas, teorias, mas quem pode avaliar sua performance e suas condições psicológicas e te leva a refletir sobre estes aspectos. Este é mais um dos episódios em que posso assegurar para vocês leitores deste blog, a escolha do instrutor é um fator fundamental para o seu aprendizado, e eu posso garantir que fiz não uma opção por alguém que me transmitiria conhecimentos, mas por ganhar mais um grande amigo. Já tive relatos e presenciei um fato onde aconteça o que acontecer, o Cesar Gentile é um cara que não te abandonará, se necessário ele se ferra junto contigo para tentar salvar a sua vida.
No dia seguinte partimos novamente para o Victory, desta vez com outro planejamento para penetrar o naufrágio. Optamos por não mergulhar na Ilha Descalvada para termos os dois cilindros cheios. Além disso, eu optei por usar primeiro o cilindro stage com o 2o estágio com bocal menor, na quel estou menos acostumado e depois usaria o meu equipamento normalmente. O stage estava com EAN27 e o outro cilindro com EAN30. Neste dia a temperatura da água estava em 23 graus, visibilidade da água era de 8 metros e sem correnteza. Cai em mais uma pegadinha da autosuficiência, pois antes de cairmos para água, a tripulação tinha um respeito e admiração enorme pelo nosso grupo, pois eramos a única turma de mergulhadores técnicos, e aquilo me fez sentir poderoso. Ledo engano. Me esqueci da frase que mais admiro do Sócrates, o filósofo, "só sei que nada sei, porque nada sabei".
Caimos na água e nadamos bastante até a bóia onde o cabo guia estava amarrado. Desta vez o esforço físico foi maior pois não havia correnteza. Por isso, demorei e não consegui num curto espaço de tempo controlar a minha respiração. Ao descer o 2o estágio do stage saiu da minha boca e novamente engoli água, isso porque eu estava numa profundidade de 5 metros apenas. Foi aí que veio todo o episódio do dia anterior e decidi abortar. Sinalizei ao Edimar que estava descendo na sequência. Sinalizei ao barco da Atlantes quando eu estava na superfície e retornei para a embarcação. Logo imaginem como eu estava descepcionado comigo mesmo.
Bem meus amigos, num próximo post escreverei sobre algumas reflexões que tive sobre saber a hora de abortar um mergulho. O importante é que todo este episódio me trouxe muitos aprendizados que carrego inclusive para a minha vida profissional, e que depois num dos melhores mergulhos que fiz na vida, o Shark Dive em St Maarten, foi importante eu ter vivido, mas isso é assunto para outros posts.
Enfim, ficam aqui belas lições e antes mesmo que eu espere retornarei ao Victory 8B para desta vez penetrar e conhece suas instalações.
Até a próxima!!!
Vídeo sobre todo o processo de afundamento do Victory 8B
Mapa da embarcação
Victory antes de afundar
Durante o afundamento
Vídeo produzido pelo Marcos Cetrone durante a expedição ao Victory 8B
Este post é dedicado a vocês que assim como eu curtem Naufrágios. Estes grandes pedaços de metal no fundo de nossos mares são verdadeiros museus, cada um com a sua história, guardam segredos de inúmeras pessoas, nações e épocas.
Falarei dos mergulhos que fiz no dia 11 de fevereiro em Ilha Bela nos naufrágios Velasquez e Terezina. A operação foi feita com a Universo Marinho do Andreoli. Mas este não é post técnico sobre naufrágios, mas conta um pouco do que aprendi com as situações a qual foi exposto.
No mergulho do Velasquez a temperatura do ar era de 30 graus, e da água 18 graus, a visibilidade de 12 metros aproximadamente, meu cilindro iniciou com 184 bar e terminou com 43 bar. O mergulho chegou a 17 metros e teve 01:13 de duração. Classifiquei-o como excelente.
Inicialmente tive dificuldade para descer, pois a minha respiração estava descontrolada, algo que hoje eu aprendi a controlar mais. Ao cair na água perdi a presilha da máscara, causando um pequeno stress mas não colocou o mergulho em risco. Protamente troquei por uma da operação do Andreoli. O naufrágio em si não é muito bom, pois é uma porção de ferros retorcidos, porém, algumas partes são fáceis de identificar. O Andreoli estabeleceu que eu fosse seu dupla, e iriamos no final da turma, porém no meio do mergulho acabei mudando de dupla, pois ele retornou com a esposa deste meu novo parceiro. Ele me sinalizou que voltaria e indicou para que fossemos a nova dupla. Neste instante meus conhecimentos, minha experiência foram colocadas a prova, pois me foi delegada a responsabilidade de guiar um novo parceiro. A primeira coisa que fiz foi seguir a regra primordial do mergulho Parar - Pensar - Agir. Me acalmei e tomei a frente da dupla, mesmo sem o conhecer e combinar sinais. Procurei por todo o mergulho manter as rotinas básicas, monitorando gás, tempo de fundo, profundidade e direção. Rolou uma certa confusão quando eu fazia alguns sinais para o meu dupla, pois ele tinha pouquíssimos mergulhos com Advanced, logo ele não sabia bem os sinais. A partir deste episódio fui procurar e pedi ao Cesar Gentille me enviar alguma apostila sobre sinalização. Usamos lanternas sem necessidade. Por causa da situação abri mão de fotografar ou filmar o mergulho para prestar atenção exclusivamente no meu dupla. Vimos muito pouca vida marinha. Ao voltarmos para a superfície meu dupla estava radiante de alegria e me agradeceu muito por ajudá-lo. Neste instante fui picado pela magia do que é ser um Dive Master ou um Instrutor.
Para o novo mergulho, desta vez Terezina, combinei na superfície com o meu dupla e sua esposa alguns sinais e cuidados para tomarem um com o outro, pois agora eu teria duas pessoas sob minha responsabilidade.
Neste ponto a água estava com temperatura de 20 graus e a visibilidade também em 12 metros mais ou menos. Meu cilindro começou em 192 bar e finalizou em 28 bar. Chegamos aos 14 metros e tempo total de fundo de 01:06. Com meus novos parceiros seguimos os procedimentos de verificação de gás, profundidade. Coloquei-os para mergulhar a minha frente e sempre pedia para que o marido verificasse o gás da esposa e me apontasse. Guiei-os com muita tranquilidade e segurança. Quase não dá para você identificar o naufrágio, ele está bem retorcido, porém, vimos muita vida marinha, inclusive uma raia que me assustou quando tentei tirar uma foto. Vimos também uma moréia e pela primeira vez vi uma lagosta.
Bem meus amigos, ficou uma bela lição com estes mergulhos, seguir sempre a regra de ouro: PARAR - PENSAR - AGIR. Sai irradiante de alegria com a minha performance pois até então eu possuia apenas 30 mergulhos em meu Logbook.