domingo, 3 de fevereiro de 2013

Entrando no universos dos naufrágios

Caros amigos, este post vai contar agora um pouquinho de um novo universo a qual eu experimentei há pouco tempo, o misterioso mundo dos naufrágios.

Antes de eu começar a relatar a minha experiência com o curso do Wreck Dive e o check-out realizado em outubro de 2012 no Pinguino, em Ilha Grande, Angra dos Reis-RJ, cabe aqui um bom alerta. No universo do mergulho, sempre as pessoas nos perguntam, comentam sobre os riscos deste esporte, ou ouvimos muitas histórgrias sobre acidentes com mergulhadores. Pois bem, muitas destas histórias ocorrem em naufrágios. Grande parte dos acidentes ocorridos são com mergulhadores que acabam de se formar no Open Water Dive, ou no máximo em Advanced e acham que estão aptos a entrar numa embarcação afundada. E muito pelo contrário, não devem entrar sem ter devidamente participado do curso específico, onde você aprenderá técnicas adequadas.

Se você acabou de participar de qualquer curso de mergulho, parabéns pela conquista, mas lembre-se, naufrágio só se for visitá-lo por fora e não entre nele de jeito nenhum.

Agora, vamos falar sobre a minha experiência com naufrágio.

O curso de Wreck Dive tem pelo menos 03 níveis. O básico que fiz com o Cesar Gentile na Cesar Dive Team em Caraguatatuba teve um módulo teórico com 06 horas. No treinamento em sala de aula conhecemos um pouco sobre este novo universo, as técnicas adequadas como por exemplo pernadas, uso de lanterna, cabeamento, os cuidados com a verificaração de gás e etc.

Logo depois de conhecer a teoria de naufrágios realizamos uma série de exercícios muito divertida. O Cesar e o Edimar Barbosa, apagaram as luzes da escola e fizeram com que o nosso grupo, formado por 08 pessoas, realizasse os exercícios de passagem de cabos em determinados pontos, manobras com lanterna, guia e sinais para o grupo, os papéis de responsabilidades de cada pessoa que adentra a um naufrágio. Cada um de nós liderou o grupo, foi suporte ao líder, guiou o grupo para o retorno. E tudo isso era cronometrado para simularmos o gerenciamento do gás.

Alguns meses depois, enfim chegou o grande dia do Check-out. O naufrágio escolhido foi o Pinguino em Ilha Grande, Angra dos Reis - RJ. Você poderá ler um pouco mais sobre outros mergulhos, dicas de pousada e etc num post que fiz descrevendo o meu curso do Advanced, basta clicar aqui.

Antes de começar a falar sobre os meus dois mergulhos de "batismo", quero deixar um #ficaadica. Não basta você contar com os conteúdos abordados na sala de aula durante a aula teórica, vale dar uma lida em dois livros que eu relatei aqui no Blog: O Último Mergulho e Mergulho na Escuridão. Apesar de tensos, ambos os livros trazem dicas muito importantes.

O primeio mergulho foi incrível, mas muito tenso. Os episódios ocorridos na Laje de Santos, mais as memórias sobre a leitura de O Último Mergulho estavam atrapalhando a minha concentração e aumentavam a minha fobia e descontrole da respiração. O dia estava lindo, cerca de 28 graus, porém chegamos a pegar uma água com 19 graus e visibilidade de uns 10 metros. Utilizei 10kg de lastro. Estava estreando o colete que comprei com o Cesar, um modelo Asa, por isso coloquei 04 kg em cada uma das laterais e tive de inserir 02 kg por dentro da roupa semi-seca, o que acabou me atrapalhando em alguns momentos pois ela começou a descer pela roupa. Além disso, eram os primeiros mergulhos utilizando computador permitindo melhorar os registros dos mergulhos e fiz a estréia do conector wi-fi dele. Meu cilindro estava com 210 bar e terminei com 50 bar, em 44 minutos, chegando a profundidade máxima de 15 metros. Só isso já dá para ter uma ideia sobre a tensão e como eu consumi muito gás. Além da estréia do colete eu também estava utilizando pela primeira vez o meu novo regulador e seus estágios, além de faca e deco.

No início do primeiro mergulho, senti a fobia pois estava com dificuldades para descer. Este é um ponto em que ainda preciso melhorar até hoje. Em seguida me acalmei e consegui descer. Na entrada do Pinguino eu voltei a sentir pânico e aí entrou mais uma vez o papel de você estar seguro e ter um excelente instrutor, pois o Cesar percebeu isso, me acalmou, fiquei segurando uma barra no naufrágio e então demos uma volta por fora da embarcação, fazendo com eu fosse me distraindo e livrando a mente dos medos do naufrágio. Fomos até as placas de identificação do navio. Em seguida voltamos e eu já estava mais seguro para entrar no Pinguino. Fabinho, meu dupla também em check-out, e eu amarramos o cabo num ponto fora da embarcação, entramos e passamos a realizar os exercícios de amarração do cabo-guia, uso de lanterna, técnica de batidas das pernas (frog) para não levantar muita suspensão. Ser o segundo a realizar o exercício não é muito legal, pois você acaba encontrando a água mais turva com os sedmentos levantados anteriormente. Ao retornarmos para a superfície realizamos antes uma parada de segurança por 04 minutos a 04 metros de profundidade.

O segundo mergulho foi perfeito, espetacular. Antes de entrarmos na água eu iria cometer uma grande besteira, pois pensei em descer com a máquina fotográfica, mas o Cesar me recomendou não levá-la, pois eu teria que administrar muitas informações, exercícios e câmera poderia me desviar a atenção e perder a concentração. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito e todos os conselhos dados pelos instrutores eu procuro seguir, pois além da experiência, este é o dia-a-dia deles.

As condições da água eram as mesmas, 19 graus de temperatura, 10 metros de visibilidade, chegamos a 15 metros de profundidade. Mas desta vez eu desci um pouco mais leve, somente com 08 kg. Meu cilindro teve 200 bar de pressão inicial e final de 50 bar, porém, ficamos 01 hora e 03 minutos na água, o que demonstra que apesar do consumo de gás comparado ao mergulho anterior ser o mesmo, o tempo de profundidade foi maior, e isso mostra que consegui controlar mais o pânico e a respiração. Tanto que desta vez não senti fobia ao descer, foi muito tranquilo. Demos uma nova volta pelo Pinguino até chegarmos a uma outra entrada. Fabinho e eu amarramos o cabo na entrada do naufrágio, adentramos e executamos todas as técnicas e desta vez fizemos uma troca do cilindro stage, simulando levarmos um cilindro extra caso nosso gás acabasse poderíamos regressar e utilizá-lo. Notei que desta vez a minha lanterna estava com as pilhas fracas atrapalhando a visibilidade mas eu estava bem tranquilo quanto a isso. Novamente enfrentei as dificuldades por ser o segundo a guiar a dupla com a visibilidade ruim graças aos sedmentos levantados anteriormente, mas me comportei muito bem, verificando os pontos de enrosco do cabo guia em alguns momentos. Novamente ao retornarmos paramos por 04 minutos a 04 metros.

Enfim, se você tem algum receio, algum medo em mergulhar num naufrágio, supere-o fazendo este curso. Para mim foi o grande responsável por eu conseguir vencer medos e obstáculos que estava enfrentando nos mergulhos anteriores. Muitas fichas me cairam e fizeram com que eu buscasse mais leituras sobre o mergulho.

Meus amigos, espero que tenham gostado deste novo relato.

Até a próxima!!!


Eu na entrada do Pinguino durante o segundo mergulho (foto de Marcelo Gonçalves)

Eu e Fabinho iniciando a primeira etapa de amarração do cabo-guia na entrada do Pinguino

Placas de identificação do Pinguino



Imagens produzidas por Regis Blaustein e Marcelo Gonçalves

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